Nas últimas três décadas é possível verificar um aumento da insegurança social no mundo, sobretudo, com as mudanças na legislação europeia (OIT, 2011; IMMERVOLL; JENKINS; KÖNIGS, 2015). Essa ampliação tem origem em uma série de tensões no sistema econômico, como a precarização do vínculo de trabalho, contratos de zero hora de trabalho, desemprego, aumento da automação nas cadeias produtivas (com o uso de robôs e sistemas informáticos) tem, cada vez mais, restringido a oferta de postos de trabalho. Essas tensões nos distintos regimes de trabalho fundamentam os argumentos pela necessidade de garantir um fluxo contínuo de renda para atender as necessidades dos indivíduos. Ao mesmo tempo, alguns autores argumentam que as mudanças demográficas, como a ampliação da população idosa, colaboram para a instituição de um fluxo contínuo de renda. Além disso, paulatinamente, há um crescimento da pobreza e da desigualdade, se considerarmos meados da segunda metade do século XX em diante (PIKETY, 2014). Ademais, a cobertura dos sistemas de proteção social dos países da América Latina e Caribe, Ásia e África permanecem com baixa cobertura (FILGUEIRA, 2014; LAVINAS, 2013; OIT, 2011) que tendem a demandar por mudanças na configuração dos sistemas de proteção social. Desde a última grave crise econômica internacional em 2008, as políticas de transferência de renda condicionadas receberam destaque como mecanismo promotor de uma maior igualdade social, bem como de um instrumento promotor de maior bem-estar (CEPAL, 2011; CEPAL, 2014; CECCHINI; FILGUEIRAS; ROBLES, 2014). O presente trabalho analisa parte das experiências brasileiras em perspectiva comparada à literatura. Ademais, mapeou publicações a respeito do tema, teses e dissertações defendidas que abordavam a temática, assim como reportagens em jornais e revistas. Neste momento, analisar e debater a RBU é urgente no Brasil, afinal a pobreza cresceu nos últimos anos (IBGE, 2017).
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