A elite política brasileira ainda é majoritariamente branca. Ao nos depararmos com dados dos candidatos à câmara dos deputados e às assembleias legislativas, vemos que pouco se avançou no que diz respeito à representação política dos não-brancos. A partir de um levantamento feito com os microdados obtidos no repositório de dados eleitorais do TSE, em 2014, vemos que 80% dos deputados federais eleitos no pleito se autodeclararam brancos (gráfico 1). Dos 102 negros (pretos mais pardos, de acordo com critérios do IBGE) eleitos naquela ocasião, 81 eram autodeclarados pardos (15,78%) e 21 eram pretos (4,09%). Dessa forma é possível notar que existiu uma clivagem não só entre brancos e não brancos, mas também entre os negros.
Os dados da eleição para câmara dos deputados, em 2018, corroboram com o fato de haver uma sub representação política dos não brancos. No Brasil, quatro grupos étnicos fazem parte dos não brancos, indígenas, amarelos, pretos e pardos. Entretanto, para este trabalho apenas os dois últimos fizeram parte da análise. Não é novidade que demais grupos étnicos têm representatividade política quase nula, por isso torna-se bastante complicado fazer uma análise baseada em números. Apesar de ter ocorrido um aumento no número de eleitos não brancos, os autodeclarados brancos continuam tendo a grande maioria das cadeiras do legislativo federal e a diferença entre os autodeclarados pardos e pretos aumentou consideravelmente.
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