Explorando a implementação exógena de um programa nacional de renegociação de dívidas com apoio governamental no Brasil, mostramos que os beneficiários apresentaram uma redução de curto prazo de aproximadamente 15 a 18 pontos log nas taxas de inadimplência. No entanto, esses efeitos se mostraram temporários, já que os níveis de inadimplência entre os indivíduos tratados retornaram gradualmente ao seu patamar pré-programa em cerca de 18 meses após o lançamento do programa. Além disso, os benefícios do programa foram distribuídos de forma desigual entre a população. A redução nas taxas de inadimplência se concentrou entre indivíduos com emprego formal e, portanto, com fluxos de renda estáveis, enquanto o segmento mais vulnerável da população (aqueles em situação de emprego informal) não apresentou melhora estatisticamente significativa. Mostramos ainda que os bancos menores, que também exibiam os maiores níveis de provisões para perdas com empréstimos, se beneficiaram desproporcionalmente da queda nas taxas de inadimplência. Em geral, nossos resultados sugerem que programas de renegociação de dívidas com apoio governamental beneficiam principalmente indivíduos com fluxos de caixa mais estáveis e instituições financeiras menores e mais arriscadas. Discutimos também possíveis consequências não intencionais dessas políticas, incluindo incentivos de risco moral para que bancos menores expandam operações de crédito mais arriscadas e para que as famílias acumulem dívidas adicionais na expectativa de futuros programas de renegociação.
Quem se beneficia da renegociação de dívidas com apoio governamental? Evidências de um experimento natural no Brasil
Ano
2026
Escola
EPGE – Escola Brasileira de Economia e Finanças
Aluno-pesquisador
Pedro Soares de Lima Filho
Orientador
Professora Layla dos Santos Mendes
Localidade
Rio de Janeiro