A instalação da Comissão Nacional da Verdade (CNV), ocorrida em 16 de maio de 2012, indica a intenção do governo brasileiro de expor as feridas abertas pela ditadura militar brasileira e elucidar contextos e agentes envolvidos em ações do Estado que violaram gravemente os direitos humanos. Buscando divulgar suas próprias ações e aumentar a ressonância do debate em torno dos crimes da ditadura, a Comissão utiliza- se de diversas redes sociais, imprescindíveis hoje para se alcançar o grande público.
A questão que será desenvolvida diz respeito à utilização dessas novas redes sociais como mecanismo de mobilização e de construção da memória do regime militar brasileiro. De que maneira essas redes estão sendo utilizadas pela CNV é a pergunta que pretendo responder, de forma preliminar. No momento em que o Brasil reúne as condições necessárias para rever e dar visibilidade a diversos aspectos “esquecidos” de sua memória recente, dando inicio ao fenômeno que alguns autores denominam de justiça de transição, de que forma as redes sociais são mobilizadas para dar cumprimento ao dever de memória com relação a esse período?
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