Este trabalho investiga a dimensão subjetiva da mobilidade social no Brasil, argumentando que os indicadores objetivos de mobilidade (renda, escolaridade e ocupação) são insuficientes para capturar as experiências simbólicas, identitárias e emocionais que acompanham os processos de ascensão social. Em contextos de desigualdade estrutural como o brasileiro, compreender como os indivíduos percebem e narram suas próprias trajetórias é fundamental para ampliar o poder explicativo dos modelos econômicos vigentes. A pesquisa articula a sociologia disposicional de Pierre Bourdieu, por meio dos conceitos de habitus e histerese, com a perspectiva do homem plural de Bernard Lahire e com a análise dos dramas da mobilidade social proposta por Freire, que investiga as conexões entre emoções, moralidade e classe social no contexto brasileiro. A metodologia combina revisão bibliográfica sistemática e análise crítica transversal da literatura com a construção de um instrumento de pesquisa primária voltado a estudantes de graduação, desenvolvido para aplicação na fase subsequente da pesquisa. Os resultados revelam que o foco exclusivo na mobilidade absoluta falha em explicar a rigidez da fluidez social brasileira, pois ignora os custos sociológicos e afetivos da adaptação. Como desdobramento, propõe-se uma agenda de pesquisa que parametrize métricas de pertencimento identitário e privação relativa em modelagens econométricas futuras, com ênfase na área de Economia Comportamental.
Mobilidade subjetiva no Brasil: uma análise das percepções e tensões nas trajetórias de ascensão social
Ano
2026
Escola
EPGE – Escola Brasileira de Economia e Finanças
Aluno-pesquisador
João Pedro Valuche de Andrade Pereira
Orientador
Professora Barbara Goulart Machado Lopes
Objetivos ODS
Redução das desigualdades
Localidade
Rio de Janeiro