Atualmente, estudos de fronteira buscam compreender melhor a relação entre o exercício da liderança, as relações de confiança e o desempenho de equipes de alta performance atuando em contextos extremos. Essas relações envolvem a construção de sentido e significado para o trabalho, a percepção de justiça e de meritocracia. Buscando investigar as relações entre esses elementos, a pesquisa irá utilizar de estratégias metodológicas qualitativas e quantitativas para compreender como diferentes estilos de liderança promovem a confiança interpessoal e coletiva, e como essas variáveis impactam o desempenho em situações de alta incerteza e complexidade. Buscaremos analisar distintamente o contexto, a confiança interpessoal e a confiança coletiva, e seus indicadores, na construção de equipes de alto desempenho.
O estudo das relações de confiança nas equipes de forças policiais especiais está relacionado ao esforço para a construção de um padrão de excelência na gestão dessas equipes. Estudos anteriores sugerem que, apesar das equipes de operações especiais serem organizadas por uma estrutura hierárquica, semelhante às forças policiais convencionais, sua coordenação eficiente depende em grande parte de aspectos intangíveis (Denécé, 2009). Estas equipes são profundamente orientadas por regras implícitas, valores compartilhados e relações de confiança, que operam como fortes elementos de coordenação informal. Alguns elementos que caracterizam a construção dessas equipes, como a aplicação de rigorosos mecanismos de seleção, um maior nível de especialização de seus membros e o alto risco que envolve a execução das tarefas, cooperam para a criação de uma forte coesão grupal (Storani, 2008). Um dos fatores mais críticos apontados pelos estudos do Banco Mundial para o desenvolvimento socioeconômico sustentável é a violência urbana (World Bank, 2011). A violência urbana, como a deflagrada na cidade do Rio de Janeiro, contribuiu para o afastamento de empresas e investidores locais, abrindo mais espaço para a ação de organizações ilegais como as milícias e aquelas relacionadas ao tráfico de drogas. Uma experiência que tem se mostrado positiva na atual gestão do Governo do Estado do Rio de Janeiro é a atuação das equipes de forças especiais para a redução dos índices de violência urbana com a reocupação dos territórios nas comunidades onde atuam essas organizações ilegais. Essas equipes foram igualmente empregadas na fase inicial do processo de reconquista dos espaços urbanos, até então controlados pelo crime organizado, e possibilitaram consequentemente a reconquista dos direitos fundamentais de exercício da cidadania. Na medida em que a ação das equipes de forças especiais policiais passou a receber maior destaque na mídia e maior apoio da sociedade, sua ação também parece estar atribuindo um novo significado ao papel da polícia no controle da violência urbana e na promoção do desenvolvimento local.
No entanto, um dos fatores críticos para que as políticas públicas relacionadas ao combate da violência urbana continuem a apresentar bons resultados é o estabelecimento de boas práticas de governança nas instituições policiais (Proença Junior, 2009). Principalmente na formação e preparação destes grupos de forças policiais especiais, que possuem relevância estratégica para a implementação das políticas públicas de segurança no Estado do Rio de Janeiro.