Estudo sobre as motivações para formação de parcerias entre grandes empresas e startups

Ano
2022
Escola
EAESP – Escola de Administração de Empresas de São Paulo
Aluno-pesquisador
Ester Penteado de Araujo
Orientador
Prof. Júlio Cesar Bastos de Figueiredo
Localidade
São Paulo

Muito se fala sobre inovação, mais nem todos praticam. Enquanto os novos modelos de negócio percebem mudanças, identificam/constroem e exploram novas oportunidades em tempo hábil (Shepherd et al., 2017) muitas grandes empresas param no tempo e não se utilizam de estratégias empreendedoras, culminando em seu apogeu, como é o caso emblemático da Kodak e Xerox. Esses são exemplos de que inovar deixou de ser um diferencial e passou a ser uma obrigação de qualquer player para conseguir sobreviver a crescente competitividade do mercado, permitindo agregar novos métodos, tecnologias e contextos para viabilizar processos, produtos, serviços mais rápidos, eficientes e com maior produtividade. Entre as diversas maneiras de estudar inovação, o presente projeto busca identificar os motivos que levam as grandes empresas a realizar parcerias com startups como uma estratégia de inovação aberta sob a ótica dos executivos responsáveis por essa tomada de decisão. Partindo do pressuposto comprovado empiricamente que o conhecimento necessário para gerar inovação reside cada vez mais fora dos limites da grande empresa moderna, a alternativa de levar inovação para dentro da grande empresa por meio das startups é uma fonte valiosa de tal conhecimento uma vez que essa prática compõe a estratégia de empresas valorizadas mundialmente como Intel, Google, Cisco e Ambev. O estudo se baseou em 6 categorias de análise: objetivos da parceria, características complementares entre o modelo de negócio da grande empresa e startup, custo-benefício da cocriação de valor em relação à inovação de acordo com os objetivos, tipo e período de envolvimento, influência das características locais na efetividade das estratégias e tipo de focalização: em nicho ou abrangente. Trata-se de uma pesquisa qualitativa com objetivo de cunho inovador, utilizando-se do procedimento metodológico de análise de conteúdo para elaborar um instrumento de pesquisa a partir de ideias latentes na literatura, aplicando-o em entrevistas semiestruturadas com 9 especialistas no tema. Seguindo as categorias de análise, percebe-se que um dos principais objetivos da parceria é a motivação da grande empresa de buscar a expertise do time da startup, seguido de necessidade de velocidade no processo de inovação e na solução de problemas. Enquanto não houve concordância sobre como as características complementares entre o modelo de negócio das grandes empresas e startups impactam a parceria, ficou claro a perspectiva otimista sobre o potencial de geração de valor por meio da cocriação, bem como a crença de que mesmo com os custos e tempo de retorno, a estratégia de inovação aberta por meio das parcerias com startup são benéficas. Quanto ao tipo e período de envolvimento, o objetivo da parceria que vai determiná-los, considerando a maturidade da startup uma variável que interfere na decisão. Identificou-se a dificuldade de mapear as startups do mercado e a necessidade de iniciativas de fomento a inovação e programas que conectem o ambiente corporativo com o ecossistema de startups, uma vez que a parceria gera um processo rico de aprendizado. Por fim, constatou-se que os recursos disponíveis influenciam o tipo de focalização do portfólio de startups parceiras uma vez que eles norteiam as necessidades da empresa. Assim, nota-se que existe espaço para pesquisas sobre o tema que contribuam para o ecossistema de inovação e empreendedor, sendo um passo futuro para o crescimento das parcerias e capaz de impactar a realidade econômica das empresas no Brasil.