Muito se fala sobre inovação, mais nem todos praticam. Enquanto os novos modelos de negócio percebem mudanças, identificam/constroem e exploram novas oportunidades em tempo hábil (Shepherd et al., 2017) muitas grandes empresas param no tempo e não se utilizam de estratégias empreendedoras, culminando em seu apogeu, como é o caso emblemático da Kodak e Xerox. Esses são exemplos de que inovar deixou de ser um diferencial e passou a ser uma obrigação de qualquer player para conseguir sobreviver a crescente competitividade do mercado, permitindo agregar novos métodos, tecnologias e contextos para viabilizar processos, produtos, serviços mais rápidos, eficientes e com maior produtividade. Entre as diversas maneiras de estudar inovação, o presente projeto busca identificar os motivos que levam as grandes empresas a realizar parcerias com startups como uma estratégia de inovação aberta sob a ótica dos executivos responsáveis por essa tomada de decisão. Partindo do pressuposto comprovado empiricamente que o conhecimento necessário para gerar inovação reside cada vez mais fora dos limites da grande empresa moderna, a alternativa de levar inovação para dentro da grande empresa por meio das startups é uma fonte valiosa de tal conhecimento uma vez que essa prática compõe a estratégia de empresas valorizadas mundialmente como Intel, Google, Cisco e Ambev. O estudo se baseou em 6 categorias de análise: objetivos da parceria, características complementares entre o modelo de negócio da grande empresa e startup, custo-benefício da cocriação de valor em relação à inovação de acordo com os objetivos, tipo e período de envolvimento, influência das características locais na efetividade das estratégias e tipo de focalização: em nicho ou abrangente. Trata-se de uma pesquisa qualitativa com objetivo de cunho inovador, utilizando-se do procedimento metodológico de análise de conteúdo para elaborar um instrumento de pesquisa a partir de ideias latentes na literatura, aplicando-o em entrevistas semiestruturadas com 9 especialistas no tema. Seguindo as categorias de análise, percebe-se que um dos principais objetivos da parceria é a motivação da grande empresa de buscar a expertise do time da startup, seguido de necessidade de velocidade no processo de inovação e na solução de problemas. Enquanto não houve concordância sobre como as características complementares entre o modelo de negócio das grandes empresas e startups impactam a parceria, ficou claro a perspectiva otimista sobre o potencial de geração de valor por meio da cocriação, bem como a crença de que mesmo com os custos e tempo de retorno, a estratégia de inovação aberta por meio das parcerias com startup são benéficas. Quanto ao tipo e período de envolvimento, o objetivo da parceria que vai determiná-los, considerando a maturidade da startup uma variável que interfere na decisão. Identificou-se a dificuldade de mapear as startups do mercado e a necessidade de iniciativas de fomento a inovação e programas que conectem o ambiente corporativo com o ecossistema de startups, uma vez que a parceria gera um processo rico de aprendizado. Por fim, constatou-se que os recursos disponíveis influenciam o tipo de focalização do portfólio de startups parceiras uma vez que eles norteiam as necessidades da empresa. Assim, nota-se que existe espaço para pesquisas sobre o tema que contribuam para o ecossistema de inovação e empreendedor, sendo um passo futuro para o crescimento das parcerias e capaz de impactar a realidade econômica das empresas no Brasil.
Estudo sobre as motivações para formação de parcerias entre grandes empresas e startups
Ano
2022
Escola
EAESP – Escola de Administração de Empresas de São Paulo
Aluno-pesquisador
Ester Penteado de Araujo
Orientador
Prof. Júlio Cesar Bastos de Figueiredo
Localidade
São Paulo