ESTRATÉGIA DE BUSCA ATIVA DE FAMÍLIAS EXTREMAMENTE POBRES EM MUNICÍPIOS DE PEQUENO PORTE DA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO - II

Ano
2015
Escola
EAESP – Escola de Administração de Empresas de São Paulo
Aluno-pesquisador
Laís Menegon Youssef
Orientador
Fernando Burgos Pimentel dos Santos
Localidade
São Paulo

As estratégias de Busca Ativa compõem um tema importante, pois de acordo com os relatórios municipais do Plano Brasil Sem Miséria realizados pelo MDS, estima-se que os municípios ainda tenham muitas famílias com perfil de beneficiárias que ainda estão fora do PBF. É preciso então que elas sejam encontradas, cadastradas e colocadas na fila do programa. A postura passiva das prefeituras precisou e ainda precisa ser substituída por uma ação proativa uma vez que se constata que as famílias extremamente pobres – principal alvo do Programa Bolsa Família – não chegam aos órgãos públicos para cadastrarem-se, seja por conta do isolamento físico, seja por vergonha, seja por resignação. Isto tornou obrigatório que as prefeituras se mobilizassem para criar estratégias de Busca Ativa adequadas a cada território, tirando a ideia de que apenas em regiões isoladas ou interioranas esta seria uma medida necessária, mas também em regiões metropolitanas como a de São Paulo. [METODOLOGIA] Em ambos os municípios escolhidos para a pesquisa foram feitas conversas com as suas respectivas Secretarias de Assistência Social e com os CRAS: um em São Bernardo do Campo (no bairro mais vulnerável e de difícil acesso do município) e três em Santo André (sendo um o mais vulnerável, o outro em região de manancial e, por último, o CRAS modelo do município). No caso de Santo André foi possível fazer também uma entrevista com a empresa BK, contratada a princípio para fazer o recadastramento. Em São Bernardo do Campo conversamos com algumas beneficiárias do Bolsa Família. Em todos os casos foram feitas entrevistas semiestruturadas. [RESULTADOS] Em Santo André encontramos diferentes formas de organização em cada CRAS, que em alguns casos trouxeram inovações para o Busca Ativa juntamente com a parceria da empresa BK. O município traz consigo uma forte trajetória na área da assistência social o que pode explicar sua desenvoltura em lidar com as questões de pobreza em seu território. No caso do CRAS Riacho Grande em São Bernardo do Campo, ficou claro que a equipe da assistência não possuía condições de fazer busca ativa. Praticamente a busca era feita por moradores e pelas Agentes Comunitárias de Saúde. [CONCLUSÃO] Em ambos os casos ficou clara a falta de governabilidade dos municípios sobre a espera do recebimento do benefício do Bolsa Família, que aparenta estar passando por um momento atípico pela falta de previsibilidade de tempo deste recebimento. Outro ponto importante notado foi a omissão completa do governo estadual. Acompanhando os trabalhos da BK e observando as rotinas dos CRAS em Santo André surgiu o questionamento do quanto às equipes de assistência social nos municípios brasileiros teriam capacidade e recursos humanos para também fazer a tarefa da busca ativa de fato. Logo, é necessário ressaltar também que a busca ativa não se trata apenas de incluir novas famílias no Cadastro Único.  É necessário também manter esses novos cadastros atualizados, ou seja, deve-se continuar indo atrás dessa população, pois pelos mesmos motivos que elas não chegavam ao Estado antes, elas vão continuar não chegando. Através deste mapeamento realizado na pesquisa espera-se que gestores de outros municípios do país possam encontrar novas ideias aplicáveis em seus respectivos contextos e, além disso, refletir sobre seus próprios desafios persistentes para desenvolver e construir um país mais justo.