Tanto a academia quanto o público compartilham das preocupações acerca da influência corporativa sobre os poderes regulatórios dos Estados soberanos. No entanto, apesar da documentação de alguns casos muito conhecidos de interferência corporativa em regulações governamentais, a investigação de um mecanismo geral que explica tanto a disposição quanto a habilidade de corporações de moldar processos regulatórios públicos ainda é escassa. Este projeto argumenta que empresas altamente inovadoras e localizadas em setores complexos têm maior probabilidade de apoiar iniciativas regulatórias propostas por governos nos níveis doméstico e global. Isso se deve ao interesse dessas firmas de assegurar um ambiente regulatório favorável para o exercício da sua vantagem competitiva sobre os rivais. Este apoio por empresas inovadoras deve então acelerar a adoção e a difusão de regulações entre países. Por outro lado, empresas menos inovadoras em indústrias menos complexas apresentam maior probabilidade de tentar atrasar ou bloquear regulações, o que contribui com processos regulatórios mais lentos. Este projeto propõe a coleta de uma variedade de novas fontes de dados para testar uma série de implicações observáveis derivadas desta teoria em diferentes níveis de análise: o de indústrias globais, o de indústrias domésticas, o de firmas individuais e o de regulações específicas. Uma possível implicação é a de que soluções para problemas globais complexos em áreas como proteção ambiental e saúde global podem ser facilitadas por governos comprometidos e empresas inovadoras. Por outro lado, ao desenhar políticas que beneficiam empresas inovadoras, os governos podem acabar fornecendo poder excessivo a empresas já grandes e influentes.
Divestment Movements and the Brazilian Case
Ano
2021
Escola
RI - Escola de Relações Internacionais
Aluno-pesquisador
Pedro Bernt Eymael
Orientador
Prof. Carolina Moehlecke
Localidade
São Paulo