No Brasil, a experiência com a adoção do modelo regulatório de serviços públicos e setores econômicos através das agências reguladoras é uma experiência de gestão recente. As agências reguladoras no âmbito federal começaram a surgir no final do século XX, mas, apesar de existirem a pouco tempo, desempenham um papel fundamental para a atual administração pública brasileira, ao regular e fiscalizar a prestação de serviços públicos praticados pela iniciativa privada. Atualmente, são dez ARIs no âmbito federal e 27 ARIs no âmbito estadual. Dessa forma, informações provindas de pesquisas no âmbito da regulação no Brasil podem contribuir não só com a evolução das instituições, mas também como desenvolvimento de políticas públicas e discussões sociais e éticas sobre o sistema regulatório no país. Assim sendo, o presente projeto se concentra no mapeamento das trajetórias de carreira dos dirigentes de agências reguladoras brasileiras, tanto no âmbito federal quanto no estadual. Visto que os reguladores, através da Lei n° 9.986 de 18 de julho de 2000 são nomeados pelo Poder Executivo e aprovados pelo Poder Executivo, os mesmos podem sofrer influência política ou de grupos de interesse. Desta forma, os burocratas podem agir de acordo com os interesses de outrem por duas principais razões: redução de esforços e/ou aumento de benefícios. Políticos e grupos de interesse podem oferecer compensações aos reguladores para que estes se esquivem das responsabilidades originadas do seu cargo, favorecendo interesses próprios. Uma dessas compensações são empregos bem remunerados aos burocratas após o período de direção nas agências reguladoras, direta ou indiretamente relacionados aos setores econômicos regulados ou até mesmo nomeações para cargos públicos de confiança dos políticos. Desta forma, este projeto visa analisar dados referentes a empregos pré e pós agências em empresas reguladas, organizações parceiras, fornecedoras, ou até mesmo em cargos públicos de confiança, que podem ser indicadores de que o regulador estaria sendo recompensado por decisões que tomou em benefícios do setor regulado ou de interesses privados.
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