Design institucional e estruturas regulatórias: Autonomia, discricionariedade e processo institucional

Ano
2022
Escola
Direito Rio – Escola de Direito Rio de Janeiro
Aluno-pesquisador
João Pedro Paravidino
Orientador
Prof. Décio Vieira da Rocha
Localidade
Rio de Janeiro

Em análise pautada nas quatro dimensões das agências reguladoras delimitadas pela teoria da regulação econômica de Stigler (1971)1, o projeto tem, como objetivo central, produzir dados empíricos e estabelecer parâmetros metodológicos que ajudem a contribuir com o conhecimento estabelecido sobre agências reguladoras nacionais através da réplica de dados internacionais.

Explora-se o fenômeno de expansão das estruturas regulatórias no Brasil, muito ilustrado através da formação de diversos agentes institucionais responsáveis pela regulação de setores de focos regulatórios específicos. Para tanto, foram testadas as hipóteses centrais de que (i) há variação de autonomia entre as agências reguladoras; e (ii) agências que regulam a economia/setores  competitivos  tem  mais  autonomia  que  agências  que  regulam  aspectos sociais,  através  da  coleta  de  dados  sobre  resoluções  e  atos  normativos  produzidos  pelas agências reguladoras entre 2010 e 2022 (buscando trabalhar os aludidos temas centrais por meio do conteúdo empírico das agências).

Essas  primeiras leituras  serviram  como  bases  para  compreender a  inclusão do  Brasil  no processo  de  expansão  das  estruturas  regulatórias,  com  a  formação  de  diversos  agentes institucionais responsáveis pela regulação em setores muito específicos. Desde os anos 2000, quando várias ARs foram sendo criadas em períodos distintos o estoque regulatório desenvolveu- se bastante. Atualmente há uma profusão bastante acentuada de regulamentos e atos das ARs em seus respectivos campos que demonstram uma atuação bastante ativa destas.

Em princípio, a ideia da pesquisa era a de avaliar a partir dos estatutos de fundação das agências, suas características fundamentais como; capacidades regulatórias, autonomia administrativa, independência política e accountability através de análise fatorial (componentes principais) e da Teoria da Resposta ao Item (IRTs). Porém, para a utilização de tal metodologia é necessário que haja em certa medida alguma variância entre os itens analisados. Como os Estatutos de fundação das agências passaram em certa medida por uma padronização , há poucas distinções formais em relação aos Estatutos das ARs, levando a uma variância próxima de zero.