O objetivo deste estudo é, à luz das interpretações culturalistas da Grande Divergência, analisar como a cultura e as instituições se entrelaçam ao longo da história econômica do Brasil. Adota-se uma abordagem comparativa entre o desenvolvimento econômico e os aspectos culturais observados no Brasil e em países como os Países Baixos e a Inglaterra, destacando como valores associados ao liberalismo econômico e à ética burguesa influenciaram essas economias no longo prazo. A hipótese que norteia este estudo é a de que determinados padrões culturais persistentes na sociedade brasileira moldaram o arranjo institucional e, ao final, o desempenho econômico do país de forma negativa. Adotando como eixo analítico o arcabouço de conjuntos e configurações culturais de Acemoglu e Robinson (2025) e a distinção entre clã e corporação de Greif, Mokyr e Tabellini (2025), o trabalho conclui que a divergência entre Brasil, Inglaterra e Países Baixos não decorre de superioridade cultural, mas de dois traços estruturais: a densidade precoce de organizações de tipo corporativo nos casos europeus e a fluidez de seus conjuntos culturais, contrastadas, no caso brasileiro, com a organização social de tipo clânico e com a presença do esquema de mediação pessoal das relações em todas as configurações que o país efetivamente alcançou, o que inviabilizou, em particular, a liberal, dado que esta exige a sua ausência e não a sua recombinação.
CULTURA, INSTITUIÇÕES E LIBERALISMO: uma interpretação da história econômica do Brasil
Ano
2026
Escola
EPGE – Escola Brasileira de Economia e Finanças
Aluno-pesquisador
Tiago Ferreira Rodrigues
Orientador
Professor André Arruda Villela
Objetivos ODS
Trabalho decente e crescimento econômico
Paz, justiça e instituições eficazes
Localidade
Rio de Janeiro