Este Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) teve como objetivo principal analisar se o aparato de segurança do estado de São Paulo que atuou durante a Copa do Mundo FIFA 2014 agiu de maneira diferente, com os torcedores, da atuação percebida em protestos populares nas ruas e vias públicas da capital paulista, além disso, o trabalho também analisou se o modo de agir da Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP) é moldado de acordo com o ambiente de atuação, com o público presente e com a relação dos cidadãos com o policial. Por fim, este PIBIC observou se a PMESP é uma organização detentora de alguns estereótipos e preconceitos contra a população negra e/ou pobre e, também, contra manifestantes de ações populares. [METODOLOGIA] Os textos, analises, dados e conclusões utilizados neste relatório são provenientes de uma extensa base teórica além de diversas pesquisas presenciais. O pesquisador buscou uma análise qualitativa com priorização na abordagem de campo, ou seja, os dados da pesquisa foram obtidos, por meio de entrevistas e questionários (esses que foram elaborados em conjunto com o orientador) e aplicados a alguns policias militares e pesquisadores da área de segurança. Além disso, foi utilizado o método de Etnografia, pois o pesquisador atuou como “Voluntário FIFA” durante os todos os seis jogos na Arena São Paulo, e também no acompanhamento dos protestos que ocorreram antes, durante e após a realização do Mundial. [RESULTADOS] Os principais resultados desta pesquisa que podem ser destacados são que os policiais entrevistados percebem que eles necessitam tomar atitudes diferentes em locais e contextos diversos, em outras palavras, realizar abordagens e ações mais hostis e agressivas em certos lugares e em conjunturas distintas. Isso ocorre devido ao fato do ambiente ser mais ou menos perigoso, ou porque é mais ou menos monitorado ou porque a população local é mais ou menos “civilizada”. Além disso, um outro resultado obtido foi a percepção de que a própria Instituição reflete os valores éticos da sociedade (essa que é violenta) e dos próprios policiais, o que pode explicar a ação mais “violenta” em determinados lugares e na relação com públicos específicos. Por fim, nem todos os policiais entrevistados conseguiram problematizar em suas falas o porquê dessas ações diferentes em contextos distintos. [CONCLUSÂO] O trabalho concluiu que os policiais atuam, como já dito, de forma diferente em contextos diversos e que isso não foi uma exclusividade da Copa do Mundo. Além disso, a pesquisa notou que a Instituição combate o criminoso e não o crime e isso apenas contribui para reforçar a tese de que esses profissionais possuem estereótipos contra camadas da população. Por fim, essa mesma Polícia Militar não “muda radicalmente” o pensamento dos seus servidores, como foi relatado por alguns dos entrevistados, mas sim, reforça o já caráter violento da sociedade e dos seus agentes por meio das reafirmações da cultura da violência, como se percebe no próprio logo da PMESP por meio das estrelas e, também, dos estereótipos.
COPA DO MUNDO FIFA 2014 E SEGURANÇA PÚBLICA: JOGOS, PROTESTOS E VIOLÊNCIA
Ano
2015
Escola
EAESP – Escola de Administração de Empresas de São Paulo
Aluno-pesquisador
Etrus Delesposti Pedrosa Neto
Orientador
Gustavo Andrey de Almeida Lopes
Localidade
São Paulo