O presente artigo investiga, em um primeiro plano, o padrão de declaração dos riscos associados às mudanças climáticas por empresas nos formulários 10-K da Securities and Exchange Commission (SEC), a agência federal que regula o mercado financeiro estadounidense. Em segundo plano, é analisado a demanda feita por investidores para que as empresas realizem essas declarações. O estudo é de N médio e mistura métodos quantitativos e qualitativos com foco nas firmas citadas pelo Fortune Global 500 desde 1996 até 2018. Os principais resultados são: apesar do aumento significativo das firmas que declaram riscos climáticos desde 1996 a 2018, uma quantidade significativa das firmas sequer os menciona nos formulários 10-K em 2018 (43,88%). Ainda, 2011, o ano em que mais firmas que previamente não declaravam riscos climáticos começaram a fazê-lo, é também o ano em que o SEC publicou o Interpretative Release (Relatório Interpretativo) em como declarar riscos climáticos. Com relação a pressão de investidores, não há evidência o suficiente para afirmar que são motivadores importantes da declaração climática, indicando a necessidade de mais pesquisa na área. Em conjunto, os resultados sugerem que uma governança efetiva das mudanças climáticas depende de uma boa regulação estatal tanto quanto da iniciativa privada.
Can shareholders promote climate change disclosure?
Ano
2023
Escola
RI - Escola de Relações Internacionais
Aluno-pesquisador
Gabriela Veit Barreto
Orientador
Professora Carolina Moehlecke
Localidade
São Paulo