Aluno-pesquisador:
Orientador:
- Professora Carolina Moehleck
Ano:
Escola:
- RI - Escola de Relações Internacionais
Efeitos Políticos da Integração do Brasil a Fluxos Financeiros Internacionais: Opinião Pública, Comportamento do Eleitor e a Perspectiva das Elites. A integração de países em desenvolvimento à economia global cria vencedores e perdedores, gerando reações políticas entre eleitores e elites políticas e empresariais a nível doméstico. Formas de integração à economia global incluem o recebimento de investimento estrangeiro direto (IED), que gera empregos, mas também corrupção e dano ambiental, e o endividamento externo, que alivia pressões fiscais, mas aumenta o risco de crises. A pergunta de pesquisa central desta proposta é: quais são os determinantes de atitudes e comportamentos políticos de eleitores e elites no Brasil sobre estes fluxos financeiros internacionais? A partir do paradigma de Open Economy Politics (Lake 2009), propomos três estudos que investigam as microfundações das atitudes de indivíduos e elites no Brasil sobre IED e dívida soberana, como passo inicial para entender variação nas escolhas de políticas econômicas externas por governos. O primeiro estudo pergunta sob que condições eleitores brasileiros punem políticos por atrair IED associado a externalidades negativas. Eleitores reelegem políticos que atraem IED (Owen 2019), mas rejeitam IED com impactos negativos (Moehlecke et al. 2024). Esperamos que eleitores punam políticos dependendo da sua exposição a essas externalidades. A segunda questão examina o que explica variação nas atitudes de elites políticas e empresariais ao IED chinês. Elites em países desenvolvidos demonstram apreensão ao capital chinês (Bauerle Danzman and Meunier 2023); no Brasil, cidadãos de direita têm reações mais negativas (Moehlecke et al. 2024). Esperamos encontrar maior aversão entre elites políticas de direita e pragmatismo entre elites empresariais. A terceira questão investiga o que explica variação nas atitudes de brasileiros sobre endividamento externo, replicando estudos em países desenvolvidos (Bansak et al. 2021). A fim de testar as hipóteses e implicações observáveis derivadas dos três estudos, coletaremos dados originais via entrevistas, surveys experimentais, além de dados observacionais disponíveis publicamente e de bases proprietárias. Os dados serão analisados pela estimação de modelos estatísticos e através de métodos qualitativos. Este projeto contempla a participação de seis pesquisadores brasileiros, sendo três com atuação no Brasil, dois nos Estados Unidos e um no Reino Unido, e, portanto, busca fortalecer a cooperação científica em rede internacional na área de Ciência Política e Relações Internacionais.
