As Ações Unilaterais Mudam o Discurso das Organizações Internacionais? Área de Concentração: Governança Transnacional e Economia Política Internacional

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Aluno-pesquisador: 

Hugo Ribeiro de Souza Martins

Orientador: 

  • Professor Rodrigo Fagundes Cezar

Ano: 

2025

Escola: 

  • RI - Escola de Relações Internacionais

Como reagiu o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP) à diretiva anti desmatamento da UE? E a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD)? A literatura existente reafirma que países e grupos de interesse podem alterar o desenho das instituições internacionais. No entanto, as instituições internacionais também possuem algum grau de autonomia para re-enquadrar e reagir a novos desenvolvimentos iniciados por países específicos. Neste artigo, abordamos esse debate clássico por uma perspectiva diferente. Avaliamos até que ponto o EUDR (Regulamento da UE sobre Desmatamento) provocou uma mudança no discurso das OIs (Organizações Internacionais) de comércio e meio ambiente. Utilizando modelos de linguagem de grande escala (LLMs) de ponta num desenho quase-experimental, testamos se os discursos e comunicados de imprensa do PNUMA e da UNCTAD mudaram como resultado do anúncio e aprovação do EUDR pela UE. Fazemos isso usando um desenho de diferenças-em-diferenças e medindo a proximidade do texto do EUDR com o texto dos documentos do UNEP e da UNCTAD, em comparação com um placebo, nomeadamente a União Internacional de Telecomunicações (ITU), uma organização geralmente não relacionada a políticas ambientais baseadas no comércio. Esperamos descobrir que o EUDR desencadeou uma mudança no discurso tanto das OIs de comércio quanto das ambientais, embora mais nestas últimas. Com base na teoria do principal-agente, teorizamos que o comércio geralmente deve desencadear receios redistributivos mais fortes que polarizam os "principais" (países-membros) das OIs de países desenvolvidos e em desenvolvimento, tornando o consenso mais difícil, mitigando a autonomia das OIs e, assim, enfraquecendo as respostas discursivas. Para questões ambientais, a "lógica do apropriado" deve desempenhar um papel mais forte, ajudando assim a fomentar o consenso (ou mitigar a polarização) e permitindo mais margem de manobra para os funcionários das OIs responderem.